quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Projeto Carnalita: proposta do Governo soluciona o impasse

No Senado, lideranças sergipanas e Vale do Rio Doce concordam que lei estadual deve garantir a divisão adequada dos impostos entre Capela e Japaratuba


A divisão proporcional das riquezas minerais entre Capela e Japaratuba, conforme proposta pelo Governo de Sergipe, foi o caminho encontrado pelas principais lideranças do Estado reunidas no Senado nesta quarta-feira, 19, para que o Projeto Carnalita seja finalmente implantado. "A Vale do Rio Doce é muito bem-vinda a Sergipe", ratificou o governador Jackson Barreto ao presidente da empresa, Murilo Ferreira, presente à audiência em Brasília. [ Veja detalhes do projeto Carnalita.]

A frase do governador foi uma resposta a Ferreira que, pouco antes, dissera: "não farei qualquer movimento em mineração onde não sejamos bem-vindos". "Nós queremos a Vale em nosso Estado", repetiu o governador. A primeira fase da implantação da fábrica de potássio prevê investimento de U$ 1,8 bilhão, cerca de R$ 4 bilhões.

O governador Jackson Barreto, os prefeitos Hélio Sobral, Ezequiel Leite e João Alves, os senadores Antonio Carlos Valadares, Eduardo Amorim, e o presidente da Vale, Murilo Ferreira |  Fotos: Roberto Jayme/Photonews 

ICMS

Para que o consenso seja alcançado é necessário agora a aprovação de um projeto de lei estadual que garanta esta divisão. Conforme explicou o secretário de Fazenda, Jeferson Passos, "o valor adicionado do ICMS será dividido de maneira proporcional ao minério de cada município". Este entendimento foi corroborado por Otávio Bulcão, diretor de Assuntos Jurídicos e Fiscais da Vale.

De acordo com os levantamentos da Vale do Rio Doce, 71% da Carnalita, de onde se extrai o potássio, essencial na composição de fertilizantes, estão sob solo capelense. Os outros 29% encontram-se no subsolo japaratubense.



Os detalhes legais serão tratados em nova reunião entre especialistas em tributação do Governo do Estado, das prefeituras envolvidas e da Vale. Entre os encaminhamentos, está prevista a criação de dois centros de distribuição, um em cada município.

Empregos

Ao comemorar o avanço, o governador lembrou que, afora os tributos que serão gerados para Sergipe por três décadas, há a criação de empregos. Serão cerca de 4.000 empregos diretos e 10.000 indiretos durante a fase da construção, além de outros 1.000 diretos e 2.750 indiretos na fase de operação.

"Nós queremos os empregos da Vale", destacou Jackson. Por isto, "não podemos abrir mão deste projeto". Num novo apelo ao prefeito de Capela, Ezequiel Leite, de cuja assinatura depende a implantação do projeto, o governador lembrou que, quando assumiu o Governo de Sergipe, todas as decisões sobre o Projeto Carnalita já estavam tomadas.

"Eu nunca dei um passo que não fosse para defender os interesses de Sergipe. Para mim, esta é uma questão de soberania nacional, de segurança nacional, de independência nacional". O Brasil, um dos maiores produtores agrícolas do mundo, é altamente depende da importação de fertilizantes. O potássio, produzido em Sergipe, reduziria esta dependência e baratearia os custos de produção de alimentos.

Marcelo Déda

Ainda durante sua intervenção na audiência pública, Jackson lembrou, com a concordância do presidente da Vale, que o Projeto Carnalita foi uma conquista do ex-governador Marcelo Déda. Além disso, pelo seu caráter nacional, teve o apoio e o empenho da presidenta Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Dúvida dirimida

Durante a exposição do representante da Vale em Sergipe, Francisco Cisne, ficou dirimida outra dúvida do prefeito de Capela. Exibindo um mapa da localização da futura fábrica, Cisne afiançou que ela se localizará na fronteira dos dois municípios, ocupando, assim, os solos de ambos.

O senador Antonio Carlos Valadares, que presidiu a audiência, sintetizou o entendimento. "A fábrica não está só em Japaratuba, mas também em Capela", destacou. Além disso, "o Governo de Sergipe vai garantir a distribuição proporcional dos tributos", concluiu o senador, ao lado de Jackson.

IDH

"Estamos abertos a qualquer solução", completou Ferreira. Ele alertou, no entanto, que, a partir do dia 28, caso não haja consenso sobre o projeto, a Vale vai desmobilizar sua equipe no Estado.

Por fim, em sua intervenção final, o presidente da Vale lembrou dos benefícios que o Projeto Carnalita poderá trazer a Sergipe. Em Minas Gerais, comparou, dos dez municípios com o melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) oito têm projetos da Vale.

À audiência conjunta das comissões de Desenvolvimento Regional de Turismo e a do Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado também compareceram o secretário da Casa Civil, José Sobral, o subsecretário de Desenvolvimento Energético Sustentável, José Oliveira Júnior, e o secretário adjunto da Representação de Sergipe em Brasília, Maurício Lima, os senadores Eduardo Amorim e Maria do Carmo, os deputados federais Almeida Lima, André Moura, Fábio Reis, Laércio Oliveira, Márcio Macêdo, Mendonça Prado e Valadares Filho, e os prefeitos de Aracaju, João Alves, de Japaratuba, Hélio Sobral, e de Capela, Ezequiel Leite, além de deputados estaduais.


Reunião posterior à reunião da omissão do Senado avança na formatação da proposta.
Fotos: Roberto Jayme/Photonews





Arquivos:
- Apresentação produzida pela Subsecretaria de Desenvolvimento Energético Sustentável

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Da Carnalita à Refinaria

Por Luiz Eduardo Costa

Jose de Oliveira Junior, até pouco tempo Secretário do Planejamento, agora deslocado para a Assessoria Especial de Minérios, analisa os prejuízos que poderão ser causados a Sergipe diante do impasse criado pelo Prefeito de Capela em relação ao andamento do Projeto Carnalita. A motivação real do obediente prefeito está muito mais ligada a objetivos eleitoreiros do que ¨`à defesa dos interesses de Capela ¨como ele tão inconsistentemente argumenta. Oliveira Junior participou das alongadas tratativas entre o governo do estado, o governo federal, a Petrobrás e a Vale, para afastar os empecilhos que azedavam as relações entre a petrolífera estatal e a mineradora Vale. 

Oliveira conhece bem a dimensão dos problemas que foram enfrentados, o caminho longo e difícil percorrido, até que se chegou ao acordo que, da presidente Dilma, recebeu até prazo para ser concluído. Ele não esconde a decepção com o nível em que colocaram um debate, que não disfarça as verdadeiras intenções de um imbróglio artificial, elaborado exatamente para fazer fracassar tudo o que foi construído com esforço, capacidade técnica, sobretudo, muita vontade de acelerar o desenvolvimento sergipano. 

Sobre outra ofensiva político-eleitoreira, esta, visando depreciar o projeto da refinaria de pequeno porte, Oliveira Junior postou em rede um artigo intitulado: A refinaria é um meganegócio.

É uma análise sintética e precisa sobre o quadro atual do refino de petróleo no país, os entraves surgidos para a construção de novas refinarias, os problemas de caixa da Petrobras diante da magnitude dos investimentos necessários para viabilizar o pré-sal , e mostra que, para Sergipe, o essencial é a manutenção dos investimentos da Petrobrás na produção de óleo e gás, no pré-sal e em outras áreas, enquanto a oportunidade para agregar valor ao petróleo aqui produzido surge com a refinaria de pequeno porte, que, por outro lado, representa a solução criativa e imensamente menos custosa para ampliar, quase a curto prazo, a capacidade nacional de refino.

Um trecho do artigo: ¨Assim, plantas menores, mais próximas do mercado consumidor, capazes de reduzir o custo logístico e os desperdícios da operação na escala Petrobras, podem ser capazes de preencher uma lacuna importante no mercado e assegurar lucratividade ao segmento.Essa é a aposta que os empreendedores querem fazer. É essa aposta que, felizmente, teve lugar agora em Sergipe.

Esqueçamos pois o provincianismo que nos faz ter inveja dos projetos grandiosos, para buscar a eficácia da refinaria, que não é mini, mas é pequena sim e não precisa ter vergonha desse fato. Só que, mesmo pequena, é um grande negócio e terá muito a contribuir com o desenvolvimento de Sergipe¨. Para quem estiver interessado no assunto, a leitura do artigo de Oliveira Junior é imprescindível.

http://luizeduardocosta.blogspot.com.br/


Postado por Luiz Eduardo Costa no dia 25 de janeiro de 2014 às 13:26 em http://luizeduardocosta.blogspot.com.br/2014/01/da-carnalita-refinaria.html

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Balanço Energético de Sergipe



A SUDEN, a Superintendência de Estudos e Pesquisas (SUPES) e o Observatório de Sergipe, em sinergia com outros órgãos públicos (SEFAZ, SEDETEC, SERGÁS, UFS, entre outros) deliberam uma nova edição do Balanço Energético de Sergipe, atualizando extensivamente o anterior, publicado em 2009, com ano base de 2008 (veja aqui). Reunidos nesta manhã (27), as equipes da SUDEN e SUPES aprovaram o índice da publicação e providenciaram a continuidade da produção textual gráfica, cartográfica e estatística.

Da esquerda para a direita: Eugênia Branco, Márcio Reis, Fernanda Cruz, Oliveira Jr., Marcel Resende e José Cláudio.

O Balanço Energético é um preciso relatório que promove a ênfase na consolidação de informações para o planejamento e eficiência do setor energético - seja em energia elétrica, petróleo e gás natural e seus derivados, fontes energéticas renováveis etc- e abrange um universo que trata além da oferta e do consumo, as atividades de extração de recursos primários, sua conversão em formas secundárias, a importação e exportação, a distribuição e o uso final da energia.

Em fase de elaboração, o novo Balanço Energético estará disponível nas versões impressa e eletrônica, sendo uma relevante fonte de pesquisa para políticas, ações governamentais e investimentos na área.

A vocação do estado de Sergipe em relação ao setor energético ficou clara já no primeiro Balanço Energético elaborado em 2007 (ano base 2006), ao demonstrar que 41% do PIB do estado estava ligado ao setor, com destaque para o petróleo (com 1.400 poços de extração em 17 municípios). Nos últimos anos, o destaque se amplia ao âmbito do Gás. 



sábado, 18 de janeiro de 2014

A refinaria é um meganegócio


Esqueçamos pois o provincianismo que nos faz ter inveja dos projetos grandiosos, para buscar a eficácia e simplicidade da refinaria, que não é mini, mas é pequena sim e não precisa ter vergonha desse fato. Só que, mesmo pequena, é um grande negócio e terá muito a contribuir com o desenvolvimento de Sergipe.



José de Oliveira Júnior

Para entender porque a instalação de uma refinaria privada em Sergipe é fato significativo, precisamos recuperar alguns dados sobre o mercado brasileiro de refino de petróleo, cuja marca principal é a enorme concentração da atividade pela Petrobras, herança marcante do monopólio estatal recente. 
Cito trecho de um estudo da ANP para resumir o fato, sobejamente conhecido entre os que estudam o setor: "Atualmente, o Brasil possui 17 refinarias de petróleo em operação, sendo que 13 delas são pertencentes à Petrobras. As 4 refinarias não pertencentes a Petrobras - Dax Oil (BA), Manguinhos (RJ), Rio Grandense (RS) e Univen (SP) - possuem uma capacidade de processamento e refino de petróleo muito inferior do que as refinarias da Petrobras. A título de exemplificação, apenas a Reduc (RJ) processa em média, um volume de petróleo 20 vezes maior do que Refinaria de Manguinhos.”
ALTA CONCENTRAÇÃO E PRESENÇA ESTATAL

Esses números falam por sí: dezessete refinarias é pouco para se alcançar as dimensões continentais do país. E também revelam o peso enorme da Petrobras no setor, empresa que, por sua vez, sempre deu preferencia a enormes plantas de refino, única maneira de atingir a escala de produção necessária para o gigantismo das suas operações.
Esse gigantismo e sua vinculação ao governo cria dificuldades singulares, que precisam ser compreendidas. Podemos resumi-las no seguinte: como estatal, a Petrobras tem dificuldades para concluir na velocidade necessária obras de infra-estrutura, imprescindíveis para grandes refinarias; além disso, suas inesgotáveis necessidades de capital para dar conta da a magnitude dos investimentos necessários nos mercados da exploração do petróleo, refino e do gás natural, incluído pré-sal, tornam imprescindível a participação privada na mobilização financeira.
E, por fim, as políticas de preços de combustíveis fazem com que a margem de rentabilidade seja inferior à desejada, comprometendo em especial o negocio do refino. Vejamos exemplos para ilustrar esses pontos.
Quanto à dificuldade para os investimentos, veja-se o caso da ainda inconclusa Refinaria Abreu e Lima, ou Renest,  em Pernambuco: Ela custará cerca de 30 bilhões de reais, e já contabiliza alguns anos de atraso em relação à previsão inicial de execução, um significativo múltiplo do investimento inicial anunciado. O prazo de entrega foi postergado por diversas vezes, e só deverá operar de fato em 2016.
Mas mesmo com esses problemas, foram 30 anos de espera entre a última refinaria construída  e a fase atual deste empreendimento….
Fora do contexto Petrobras, a refinaria privada mais próxima de Sergipe, e que por sinal utiliza petróleo sergipano como insumo, é a Dax Oil, na Bahia, com capacidade de refino de apenas 2,5 mil barris dia e investimento na construção de somente 20 milhões de reais. Pelos números apresentados, a refinaria sergipana terá, já  no seu primeiro módulo, o dobro da capacidade de processamento da sua co-irmã baiana, e os investimentos serão pelo menos seis vezes maiores por conta da diversidade de produtos do refino e condições de operação projetadas para a planta.
Como se vê, a adjetivação do porte dos empreendimentos, sem compreensão de como funciona o ramo de atividade no Brasil, confunde mais que esclarece as especifidades do mercado nacional de refino.
PLANO DE NEGÓCIOS PETROBRAS

Indo um pouco mais longe nos dados do mercado de refino brasileiro, é importante verificar que a Petrobras já dimensionou no seu Plano de Negócios para 2013-2017 o tamanho da sua parcela para o mercado de refino, e a cifra é de impressionantes mas insuficientes 30 bilhões de dólares. Ora, a mobilização desse volume de dinheiro  para bancar a magnitude do seu plano de negócios (repito, impressionante mas insuficiente) não deixa espaço para investimento do porte de uma outra megarefinaria, além da conclusão de Pernambuco e das projetadas para Maranhão e Ceará, se tanto.
Até porque, a aqui vai outro problema, dos mais relevantes para os acionistas da Petrobras: a empresa obtém margens de lucros menores no segmento de refino que na produção do petróleo. Assim, seu plano de negócios, para ser mais lucrativo, deveria se concentrar mais na atividade exploratória.
Veja-se que, para obter recursos, a Petrobras vai se desfazer das suas refinarias no exterior, como difundido pela imprensa.
E é exatamente na produção de petróleo que o Estado de Sergipe pode atrair maior quantidade de investimentos da estatal para Sergipe. Nossas reservas estimadas eram de apenas meio bilhões de barris, mas esse número será revisto nos próximos anos com as descobertas em águas profundas, podendo quadruplicar. Assim, o principal objetivo do Estado junto à Petrobras deve ser garantir e ampliar a produção dos novos poços, o que é um volume de investimentos bastante significativo para a nossa economia.
E o refino? Os últimos três anos mostram uma piora acentuada nas condições de importação da gasolina afetando grandemente a balança comercial. Todas as refinarias brasileiras estão operando no pico de produção, o que ainda assim é insuficiente para o consumo atual. Os preços, como se sabem, criam um enorme dilema para a Petrobras, pois não remuneram adequadamente o investimento. E as condições de projetar e construir esbarram nas conhecidas dificuldades brasileiras com a implantação de grandes empreendimentos construtivos.
Assim, plantas menores, mais próximas ao mercado consumidor, capazes de reduzir o custo logístico e os desperdícios da operação na escala Petrobras, podem ser capazes de preencher uma lacuna importante no mercado e assegurar lucratividade ao segmento.
Essa é a aposta que os empreendedores querem fazer. É essa aposta que, felizmente, teve lugar agora em Sergipe.
Esqueçamos pois o provincianismo que nos faz ter inveja dos projetos grandiosos, para buscar a eficácia e simplicidade da refinaria, que não é mini, mas é pequena sim e não precisa ter vergonha desse fato. Só que, mesmo pequena, é um grande negócio e terá muito a contribuir com o desenvolvimento de Sergipe.

    
1 ANP, Nota Técnica Conjunta número 01/2013-CDC-SRP, "ANÁLISE DO PARECER ANALÍTICO DE REGRAS REGULATÓRIAS No 20/COGEN/SEAE/MF”, DE MAIO DE 2012. Disponível em http://www.brasil-rounds.gov.br/arquivos/Notas_tecnicas/68120.pdf, consultado em janeiro, 2014.

Ver também o estudo de Greco e Romão, Refinarias, disponível em http://pt.slideshare.net/mgreco66/refinarias-brasileiras-15660409, consultado em janeiro de 2014.   

3 Veja venda de ativos na Argentina em http://www.onip.org.br/noticias/sintese/petrobras-vai-vender-ativos-de-petroleo-na-argentina/ e diversas notícias similares sobre outros ativos da empresa no exterior.

4 Em http://achadoseconomicos.blogosfera.uol.com.br/2013/09/11/importacao-de-gasolina-aumenta-42-mil-vezes-em-tres-anos/, consultado em janeiro de 2014, um estudo com dados obre a importação do petróleo e seus efeitos na balança comercial brasileira.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Jackson Barreto anuncia primeira Refinaria de Petróleo em Sergipe

Refinaria deverá produzir cinco mil barris por dia, 10% do consumo local


Na manhã de ontem (13), foi assinado o documento de instalação da primeira refinaria em Carmópolis. A solenidade foi comandada pelo governador do estado de Sergipe, Jackson Barreto, que destacou que o investimento reforça a capacidade energética da região, que dispõe de outras fontes de energia como gás natural, etanol, biomassa, energia eólica e energia hidroelétrica.


O Governador Jackson Barreto 


Com investimentos de R$ 120 milhões, a refinaria será erguida pela REF Brasil, uma sociedade entre as empresas Energio e Costa Global. O empreendimento ficará no município de Carmópolis, principal bacia petrolífera do estado, e vai gerar 250 empregos diretos e indiretos. A capacidade inicial de processamento planejado é de até dois módulos de 5 mil barris diários capazes de produzir quatro combustíveis  para abastecer o mercado interno (gasolina, diesel, óleo combustíveis e bunker, como é chamado o combustível para navios). A receita operacional prevista é de R$ 480 milhões.



Atualmente, a produção de Sergipe é processada na Bahia. Com uma refinaria próximo ao campo de exploração do óleo, os custos da produção e da distribuição de combustíveis serão reduzidos, o que poderá ocasionar uma diminuição de preços para o consumidor sergipano.

O empreendimento receberá o nome do ex-governador Marcelo Déda - que faleceu em dezembro do ano passado -, e deverá entrar em operação em 18 meses. O presidente da REF Brasil e ex-diretor de Refino da Petrobras, Paulo Roberto Costa, destaca a vantagem competitiva da refinaria de Carmópolis.


Assista a reportagem da TV Aperipê:






Fonte: http://g1.globo.com/se/sergipe/noticia/2014/01/governador-de-sergipe-anuncia-implantacao-de-refinaria-de-petroleo.html
Vídeo: Notícias Aperipê - Matéria exibida em 13/01/2014.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

A classe média e sua evolução em Sergipe



Estudo do "Observatório de Sergipe" aponta o crescimento da classe média em Sergipe, acima da média do país, e confirma o acerto das políticas sociais aplicadas no decorrer da última década.


José de Oliveira Júnior
Subsecretário de Desenvolvimento Energético 
do Governo do Estado de Sergipe


O “observatório de Sergipe” acaba de divulgar um interessante estudo sobre a evolução da classe média sergipana, usando o conceito metodológico desenvolvido pela Secretaria de Assuntos Estratégica da Presidência da República orientada à elaboração de políticas públicas para a superação da pobreza. A fonte bruta dos dados é a PNAD – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, e o período coberto é de uma década inteira, de 2002 a 2012.
O estudo ajuda a esclarecer como e em que medida, as escolhas acertadas de políticas sociais para a redução da pobreza modificaram profundamente o panorama da distribuição da renda no Brasil e, de uma forma ainda mais acentuada, em Sergipe.
Os dois principais infográficos do estudo já são, por si só, esclarecedores:





Mais de um milhão de pessoas, quase o dobro da quantidade absoluta verificada em 2002, compõem a classe média definida por um corte de renda per capita que é de R$ 291 ao mês. E esta alteração do perfil de renda teve um movimento razoavelmente constante ao longo do período como a figura dois detalha:




Como se vê, o topo da pirâmide cresceu bastante, de 7% para 12%. A soma dos estratos superiores sai de 36% da população, em 2002, para 60% da população, em 2012. Os realmente pobres tiveram uma redução de 64% da população para 40% em 2012.
Comparando esses números com a média do país, percebemos que o movimento de redução da desigualdade de renda foi bem mais incisivo em Sergipe que no Brasil, fato que também percebido em relação à região Nordeste como um todo.  Diz o estudo que “nesse período, em Sergipe, mais de 480 mil pessoas passaram a compor a nova classe média, registrando um crescimento de 87%, acima da taxa nacional que foi de 54%”.
E, aqui, uma conclusão auspiciosa: “a transição demográfica e as políticas de transferência de renda, como o Programa Bolsa-Família, foram importantes no processo de inclusão dos mais pobres, mas a renda do trabalho é o principal alicerce para sustentabilidade da nova classe média. Vários são os indicadores extraídos da PNAD que apontam o protagonismo da renda do trabalho na ascensão tanto da classe média brasileira como da sergipana na última década. Foram criados mais de 167 mil novos empregos com carteira assinada de 2001 a 2011. A taxa de pessoas economicamente ativas alcançou, em 2012, 67,7%, a mais elevada dos últimos 10 anos. Com uma taxa de 47%, Sergipe é o 2º estado com o maior índice de formalização da região nordeste. O rendimento médio mensal real do trabalhador atingiu R$ 1.163,00, em 2012, o maior do Nordeste. A taxa de desemprego foi de 7,7% em 2012, o menor nível em 10 anos”.
O estudo examina vários outros indicadores, e por isso recomendo fortemente a leitura do texto completo que pode ser obtido no link http://www.observatorio.se.gov.br. O observatório é o ponto virtual onde se concentram dados estatísticos, mapas e outras informações sobre Sergipe. É mantido pela SEPLAG/SE – Secretaria do Planejamento, Orçamento e Gestão, e dirigido pelo competente técnico em gestão pública, Marcel Resende. Têm gerado excelente dados de apoio ao estudo da realidade social de Sergipe, e por isso me orgulho muito de tê-lo fundado, quando Secretário da SEPLAG.
Por fim, acresço apenas um comentário sobre a principal crítica que tem sido produzida a estudos como esse aqui noticiado: trata-se do “ponto de corte” escolhido na metodologia da SAE para definir classe média, usando o valor de apenas R$ 291 como renda per capita mensal para defini-la. Algumas pessoas, sobretudo fora do meio acadêmico, tendem a achar que classe média deveria analisar os estratos de renda superiores, em uma faixa de corte que contemple alto padrão de consumo e forte protagonismo social.
Bem, os resultados dessas propostas, ainda que fossem úteis para entender a realidade brasileira, diriam infelizmente pouco para as políticas superação da pobreza. Isto porque a acentuada desigualdade verificada no Brasil faz com que políticas dirigidas à tais estratos sejam ineficientes para proteger quem realmente está em situação de miséria: acima da renda per capita de R$ 2.400, por exemplo, estão apenas 5% da população brasileira. Imagina se fossem justamente estes os privilegiados por políticas públicas: o resultado seria a concentração da renda, e não necessariamente a redução da miséria.
O conceito de classe média portanto não é um achismo, não foi criado para combinar com a percepção de riqueza do senso comum, e não serve para conceitos individuais. Sua base é o critério de vulnerabilidade do público alvo dos programas de transferência de renda. E o resultado é uma prova inconteste de que as mudanças introduzidas no país promoveram mudanças sociais efetivas, retirando pessoas da extrema pobreza e promovendo um  desenvolvimento mais igualitário. Em Sergipe, essa linha foi ainda mais forte, como desejava o Governador Marcelo Déda, que formulou como base dos seus programas de governo, o conceito da inclusão social, separando-a na inclusão pela renda e na inclusão pelo direito. Mas isso já é assunto para outro post.




Lins importantes:

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Petróleo na costa sergipana: veja o que diz o Tijolaço

Blog de notícias divulga na internet que reservas de águas profundas em Sergipe podem alcançar de dois a três bilhões de petróleo. Petrobras confirma achados, e reafirma qualidade do óleo encontrado em lenços de 50 metros de profundidade. Expectativa do mercado agora é a declaração de comercialidade.



Petrobras: nova descoberta confirma grande jazida de petróleo em Sergipe

19 de dezembro de 2013 | 03:49 Autor: Fernando Brito
A Petrobras confirmou ontem, oficialmente, através de comunicado, o que o Tijolaço adiantou na noite de quinta-feira passada.
O novo poço perfurado em alto-mar diante das costas de Sergipe é mesmo a confirmação de um grande reservatório de óleo no local.
É o segundo na  área de Moita Binita”
É óleo levíssimo, de alto valor, localizado em águas ultraprofundas (2800 metros até o solo marinho) em depósitos de boa permeabilidade, o que reduz a necessidade de poços injetores para que o óleo possa ser retirado.
É esperada para os próximos dias a declaração de comercialidade da área onde são feitas as perfurações.
É cedo para afirmar, mas Sergipe pode chegar muito perto de conter uma reserva de 2 a 3 bilhões de barris de petróleo.